terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cruzamento

Embaixo desse sol ,
Constatei que nenhum pensamento mergulha em seu abismo.
E foi com todo esse suor que senti o mais charmoso frio,
Que me fazia apertar-me sem que entendesse seu abismo!


E isso durou menos de um segundo, na Segunda,
Em segundo plano, como precipício em tela de pintura...
De longe seu semblante na paisagem, sua pele e cintura...
Insustentavelmente leves, que me faziam perder de seu abismo,
Que me faziam voar por seu abismo.


Embaixo daquele sol laranja, vendo plano d`agua embaçado,
Te olhei com um amor suicída, com uma indiferença de pijamas...
Como uma brisa pousada sob uma árvore, sorri e imaginei te beijar.
Andei embriagado em sua direção e só abracei seu cheiro pelo ar,
Que saiu de ti com o vapor- arte do suor, sem que me visse...
Sem que me visse te atravessar!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quase

Encostei, pesado e lento, num travesseiro e me estive quase.
Quase por duas vezes, quase por absolutamente nada, quase por dizer,
Quase por pensar, por sentir salvar o que não se havia de  perder.
Quase por inventar que amar é um escape cinematográfico da solidão.
Quase por  um beijo que me pega , me leva, me erra
Não me devolvendo mais do sonho de quase pura imensidão.


Encostei, pesado e lento, num travesseiro e me estive quase.
Quase por gotas infinitas de sangue, quase por absolutamente tudo de razão
De quase desvio, quase deserto, de certo quase escuridão,
Por tão quase, quase que sorri na iminente tentativa de chorar, 
Fase,
Em que quase acreditei que não tivesse medo de amar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

idéia parcialmente trocada.

Os olhos formigavam na inconstante leveza de ser, um agravo sereno e inócuo levitava na planície da carne adormecida. Era a incerteza da promessa, um tensão que proporcionava cãimbras à alma, era a pura paixão materialista e egoista, respirando as mentiras de conversas e expectativas, que representavam um cunho um tanto quanto pedante para Ela. Precisava provar, registrar, fazer sofrer, para ter-se como existida, amada.
Pensava, esperando  visitas, no ultimo dia de UTI. Já teve (sem saber o grau  de dignidade do orgulho) a pura eloquência feroz na paixão pela negação, força maior do que a esquecida idéia de afirmar. Mas, destarte, fazia-se nostálgica e altruísta, impossível por ter de presente aos outros, a própria lágrima. Egoísta, em ênfase, por ver na matéria conquistas fúteis que alimentavam e alimentaram a sensação de felicidade, tendo a posse por e com amor.
Morreu, na prolixia de palavras como essas, esperando ser lembrada e levada no verso de alguma música,no canto escrito de alguma carta, no primeiro plano iluminado de algum retrato.
Morreu, soleníssima, e , ainda assim, limitada... A capacidade.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mefistofélico

Não tira esse riso da cara, cara demais pra raça,
É graça branda, branca que encara a fala sarcástica.
Suástica falsa e estúpida, que entope o semblante,
Disfarça a farsa, soldado burro! Mal que há de ser brasa....

Que queima o ar escasso, na rima risada rouca e ranzinza.
Vê se tira esse riso da cara, que do bem não pode ser!
Sermão, contudo, é todo do tudo que a ti nao faz conteúdo.
Então... Vá embora, de mora, devolva meu sol, meu som , sem demora!

Eu brinco, tu brincas, mas luta é culta na fala.
      minha Lenda, a tua é lenta.
A sorte sua se desmancha na arte, que não paga ou rende pala.

Cansei, camarada. Tu não divertes minha alma.
Sai-te daqui, com sua olheira...
Vá para puta que  te pariu, que o que venta de ti não cheira!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Meu irreal

Era verão de lagos azuis e tristes, de lindos que eram os pastos,
Pastos da aventura, do inimaginável encontro de almas aquecidas no silêncio.
Era a ver de natureza o verde de seus olhos, tão escuros e macios ,
Que não me lembro bem, não sei se falei algo ou fiquei apenas inquieto.
Não me lembro de sua face, mas te sinto com jamais esquecerei...
E como um dia jamais hei de ter esquecido, pois de tão gelado
Sei o que é estar aquecido, nas profundezas de uma madrugada romântica.
Era verão de colinas enigmaticas e esconderijos que jamais encontrei,
Piratas fantasmas, rosas cintilantes que me cegavam a ponto de não lembrar
De tatos. De tatos e sons que jamais encontrarei.
E de tão findável tornou-se inarradável, a percepção...
Tão concreta como uma fotografia, surda e invisível.
Para os não contadores e cantadores, indizível!
Eterna respiração para alienar a alma, com uma lona de falácias...
Falácias belas, como o olhos azuis já citados , pois quando negros que vi... Eram lindos.
Eram relâmpagos no verão de rios; rios músicos na vivência mais inerte e nua,
Crua pele, que não vejo em minha mente, mas falo e descrevo.

Era verão que jamais esfriou, não se despediu, não entardeceu como seu beijo,
Não cedeu no paladar, pois este não prensou em meu semblante de saudade.
Verão que jamais se enriqueceu, jamais saiu  da sinfonia de sua proposta,
Iluminou, choveu, pereceu, renasceu, me trouxe você que se esvai de minha memória, quando choro . -Jamais, jamais como força discipada ao nada.-
Semeou, escureceu, amanheceu, respirou, se pôs como eterno...
E foi embora ... cantando pela floresta enorme que se abriga em mim.
Verão que sempre procurei como caçador, mentindo como pescador
Como um fanfarrão poeta tristonho, que mal sabe se há verdade no ponto que não ponho,
Que mal sabe se tudo foi e me baila, como um inócuo e grande sonho.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Foste busca

Desertaram-se os olhos, que se fechavam e se iam...
Beirando o horizonte, calado e dado à sonolência de via da palavra,
E ao sonho, sonho que se levava.
Desertaram-se os olhos, que se fechavam e se iam, castanhos.
Desertaram-se as desculpas e as proliféricas mentiras,
E tudo se pôs como um deserto, deserto úmido
De olhos, que por lembrança, saudavam paixão...
E uma voz doce e longíqua, em reverberação.
Desertaram-se as estrelas do universo de um âmago;
E tudo se pôs, de certo.
E tudo se pôs como o sonho, sonho ermo e deserto.

Sonho, onde você sorria por sua alma macia.
Onde eu não precisava falar e amar alguma mentira.

sábado, 2 de abril de 2011

Não te cales.Não me cales.( afasia selvagem)

Não te cales, não me cales. Abra-te como uma flor que se descobre
Exalando sua cor, coberta de amor e dor, dormida em seu ignóbil explendor.
E recolha, por favor, seu olhar pernóstico, seu movimento pérfido e parnasiano,
Morra e ressucite em mil enganos, enquanto vive no seu beijo, o meu coração ,
Insano , a pendular sem tração.

Eu me disparo, por dentro, ao percebê-la de repente,
E ajo antes do pedido do desejo ou abraço. E , ainda, depois ,
Que me julgue delinquencialmente improcedente.
Mas, acontece que isso não nos exterioriza a dois.

Exporte seu cheiro, faça meu esporte;
Não fale, me grite, me pinte e atue na minha morte
Com o asco heróico e militante, subversão da boa sorte.
Seja minha guerra, meu carnaval, meu ponto e meu corte.
E suma, por longos tempos e breves ares, pra longe do meu forte.
Mostre porte e me conforte, me deixe, me aborte!

Mas não me cales, não te cales.